Levantamento de Áreas Degradadas por Acções Antrópicas no Distrito de Sanga (2013–2023)
Um mapeamento de dez anos sobre como a agricultura de subsistência, o crescimento populacional e o uso não sustentável dos recursos naturais têm transformado as florestas de miombo do Posto Administrativo de Unango.
Da floresta densa à floresta aberta
As florestas são patrimónios ricos em biodiversidade, fundamentais ao equilíbrio da natureza e à manutenção da vida na Terra. Entretanto, as constantes actividades causadas pelo homem, como o desmatamento provocado pelo avanço da agropecuária na região, e a extracção de recursos madeireiros e não madeireiros, têm reduzido drasticamente as grandes florestas densas em florestas abertas. Sendo assim, técnicas de maneio florestal devem ser adoptadas para minimizar as degradações causadas ao ambiente (Soares, 2017).
O surgimento de áreas degradadas leva o ser humano a conviver com as consequências do impacto ambiental, o que acaba prejudicando a sua saúde, o seu ambiente e, consequentemente, a sua qualidade de vida. Provavelmente ninguém quer viver ao lado de uma área poluída ou degradada, mas o planeta é um só: mesmo que a área degradada esteja a quilómetros de distância, os resultados ambientais afectam, muitas vezes, outras partes do planeta (Kohlrausch & Jung, 2015).
A modificação do sistema natural pelas actividades humanas origina áreas alteradas ou degradadas, que podem ter a sua capacidade de produção melhorada, conservada ou diminuída em relação ao sistema original.
📚 Estudo Relacionado
Distrito de Sanga (2011 e 2021) (TCC, Adelson Bucan)
Alteração não é o mesmo que degradação
A alteração de uma área não significa necessariamente a sua degradação. Contudo, se essa alteração ocorre juntamente com processos que levam à perda da capacidade produtiva do sistema, diz-se que a área está degradada (Wadt, Pereira, Gonçalves, Souza, & Alves, 2003).
A utilização de produtos e técnicas de sensoriamento remoto e geoprocessamento nas análises ambientais tornou-se uma prática frequente, contribuindo de modo expressivo com rapidez, eficiência e confiabilidade nas análises que envolvem processos de degradação da vegetação natural (Rosendo, 2005). De acordo com Sá (2008), citado por Silva, Reis, Silva e Pinto (2016), a contribuição do NDVI, o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada, é satisfatória na avaliação da cobertura vegetal, podendo ser utilizado no monitoramento ambiental.
Árvores presentes, ecossistema em risco
A degradação de um ecossistema florestal não implica, necessariamente, em desmatamento. Uma área degradada pode conter árvores, mas não exibir integridade ecológica, descrita como a capacidade do ecossistema de sustentar e manter uma comunidade em equilíbrio, incluindo questões como saúde do ecossistema, biodiversidade e estabilidade (Moraes, Campello, & Franco, 2010). A degradação florestal pode ser atribuída a vários factores naturais e antrópicos, como eventos climáticos extremos, extracção selectiva de madeira de espécies arbóreas, e uso intenso do solo (Huttl & Schneider, 1998).
Nos últimos anos, o aumento da população tem contribuído para a redução da cobertura vegetal, de modo geral, na destruição do ecossistema em quase todo o mundo. No distrito de Sanga, concretamente no Posto Administrativo de Unango, tem-se registado o desaparecimento de ecossistemas florestais, causando degradação, o que tem preocupado a própria população local, daí surgir a necessidade de estudar o porquê destas áreas degradadas.
📚 Estudo Relacionado
Estudo de caso: Rio Licungo, Mocuba – Zambézia (TCC, Elícia Pilica)
Tendo em consideração os danos e as consequências drásticas que as acções antrópicas provocam aos ecossistemas florestais e ao ambiente em geral, o Posto Administrativo de Unango, que possui floresta de miombo, no distrito de Sanga, tem sofrido perdas como a de habitats naturais e do potencial oxigénio que estas florestas fornecem aos habitantes desta comunidade e do distrito em geral.
A degradação em ecossistemas, por razões como desflorestamento, queimadas descontroladas, erosão provocada por acções do homem e agricultura intensiva, tem merecido atenção especial de conservacionistas e governantes, sobretudo na discussão sobre aquecimento global e redução da biodiversidade.
— Contexto que motivou o estudoDeste modo, surge a questão relacionada com o tema: levantamento de áreas degradadas por acções antrópicas no distrito de Sanga, Posto Administrativo de Unango. O trabalho servirá de guia para futuros estudos de maneio e conservação de ecossistemas, subsidiará outros estudos já realizados na área, e fornecerá informações sobre a degradação de ecossistemas florestais, apoiando a elaboração de planos de prevenção, detecção e combate à degradação florestal.
Dez anos de mudanças mapeadas com satélite
O presente trabalho teve como objectivo principal realizar o levantamento das áreas degradadas por acções antrópicas no Posto Administrativo de Unango, distrito de Sanga, província do Niassa, Moçambique, entre 2013 e 2023. Para tal, foram aplicadas técnicas de sensoriamento remoto, com recurso a imagens dos satélites Landsat 5 TM e Landsat 8 OLI, sistemas de informação geográfica (SIG), além de entrevistas e observações directas em campo.
A classificação do uso e cobertura da terra foi feita com base no algoritmo de máxima verosimilhança, e os dados foram analisados através do método AHP (Analytic Hierarchy Process), para mapear o risco de degradação florestal.
| Classe de uso e cobertura | Variação (2013–2023) |
|---|---|
| Florestas Abertas | -19,21% |
| Campos Agrícolas e Solo Exposto | +16,12% |
| Áreas Habitacionais | +0,41% |
| Florestas Densas e Plantações Florestais | +2,68% |
O NDVI indicou redução da vegetação nas áreas mais povoadas, embora tenha havido regeneração em regiões montanhosas. O mapeamento das mudanças no uso da terra apontou que 18,78% da área total foi fortemente degradada. Conclui-se que a principal causa da degradação é a expansão da agricultura de subsistência, associada ao crescimento populacional e ao uso não sustentável dos recursos naturais. O estudo recomenda a adopção de políticas públicas de conservação, educação ambiental e gestão sustentável do solo, visando a mitigação dos impactos e a preservação dos ecossistemas florestais locais.
Palavras-chave
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Fontes citadas: Soares (2017); Kohlrausch & Jung (2015); Wadt, Pereira, Gonçalves, Souza & Alves (2003); Rosendo (2005); Sá (2008), citado por Silva, Reis, Silva & Pinto (2016); Moraes, Campello & Franco (2010); Huttl & Schneider (1998).