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Desempenho Operacional das Actividades de Carregamento, Transporte Secundário e Descarregamento da Madeira em Concessão de Floresta de Miombo | Mente258

TCC Engenharia Florestal Zambézia

Desempenho Operacional das Actividades de Carregamento, Transporte Secundário e Descarregamento da Madeira em Concessão de Floresta de Miombo

O transporte secundário pode representar mais de metade do custo final da madeira nativa. Um estudo de campo na concessão da Indústria Sotomane, em Mocuba, cronometra cada ciclo para medir onde está o verdadeiro custo da operação.

Autor: Janete Jacinto

Um enorme potencial florestal, uma indústria ainda limitada

Moçambique é um dos poucos países da África Austral que ainda detém uma área considerável de florestas nativas e outras formações lenhosas, compostas sobretudo por Miombo, Mecrusse e Mopane (MITADER, 2018). Apesar deste potencial, o país enfrenta grandes desafios na gestão destes recursos, devido à capacidade reduzida da sua indústria florestal (FAO, 2010).

Como forma de minimizar este efeito, o governo prevê a criação de concessões para a gestão e exploração sustentável desta vasta área. No entanto, alcançar maior eficiência económica neste processo passa pela observância de maior produtividade tecnológica e pela minimização dos custos de produção (Nhamirre, 2018).

A exploração florestal é uma actividade que exige atenção especial, dados os elevados custos de execução e o tempo definido para as operações (Gonçalves, 2011). Segundo o mesmo autor, racionalizar as actividades de exploração contribui directamente para a maximização da produtividade e a minimização dos custos. Nas florestas nativas, a complexidade é ainda maior devido ao elevado número de espécies com diferentes características silviculturais, ecológicas e tecnológicas — o que exige a definição do ciclo de corte, a avaliação da susceptibilidade das espécies à exploração, a economicidade do maneio sustentado e a racionalização das técnicas de exploração e transporte (Braz, 2005).

É neste contexto que o presente trabalho avalia o desempenho das actividades de carregamento, transporte secundário e descarregamento da madeira em toro, na concessão florestal da empresa Industrial e Construções Sotomane, localidade de Namanjavira, distrito de Mocuba, Zambézia.

O transporte secundário como principal peso nos custos

A exploração florestal é a fase da produção que gera mais receitas no sector (Arce et al., 2004), mas precisa ser bem planeada e gerida: quando mal executada, compromete a produtividade e eleva os custos operacionais e de manutenção (Rodrigues, 2018).

Os custos de transporte secundário chegam, em alguns casos, a representar mais de 50% dos custos finais totais da madeira colocada na indústria.

— Oliveira et al. (1999) apud Batista (2008)

A Indústria Sotomane Lda é uma empresa licenciada para a actividade industrial madeireira em florestas nativas, explorando os recursos florestais de forma integrada e sustentável (Muianga e Norfolk, 2017). Contudo, nenhum estudo sobre custos de exploração e desempenho operacional havia sido feito nesta empresa até então. O aumento da qualidade, a racionalização dos processos produtivos e a minimização dos custos são factores-chave para o alcance de maior poder económico nas empresas florestais (Nhamirre, 2018), e um planeamento consistente requer conhecer o tempo necessário em cada etapa da operação, os custos envolvidos e a relação homem-máquina (Sant'Anna, 2002).

A produtividade tecnológica e os custos das actividades de exploração, em função do tipo de produto a extrair, constituem informação-chave para a tomada de decisão rumo a indicadores mais eficientes nas concessões (Machado, 2008). Foi assim que esta pesquisa se propôs fornecer informação sobre a eficiência e os custos operacionais nas actividades de carregamento, transporte secundário e descarregamento da madeira na Concessão Florestal Sotomane, Lda.

O método manual de carga e descarga pesa no desempenho

O estudo foi desenvolvido na concessão florestal da Indústria Sotomane, Lda., no posto administrativo de Namanjavira, distrito de Mocuba, província da Zambézia, com o objectivo de avaliar o desempenho operacional das actividades de carregamento, transporte secundário e descarregamento da madeira.

A metodologia seguiu seis etapas: caracterização da área de estudo, descrição das actividades operacionais, recolha de dados, amostragem, processamento e análise de dados, e resultados e discussão. Foram avaliados três parâmetros, em 4 ciclos: a duração de cada ciclo por actividade, a produtividade tecnológica (PT) e o custo operacional total. Os tempos foram cronometrados separadamente para cada actividade, os custos horários foram obtidos pela metodologia da FAO, e a análise dos dados foi feita no Microsoft Excel 2013.

Duração média por actividade

ActividadeTempo médio (min)
Carregamento114,24
Transporte secundário419,68
Descarregamento27,25

Produtividade tecnológica por ciclo (m³/h)

ActividadeCiclo 1Ciclo 2Ciclo 3Ciclo 4
Carregamento8,475,675,566,89
Transporte secundário1,891,761,781,63
Descarregamento25,3526,6825,1833,95

Custo operacional total

ActividadeCusto (Mts/h)Custo (USD/h)
Carregamento555,507,49
Transporte secundário e descarregamento2.467,4832,26

Os resultados mostram que o transporte secundário foi, de longe, a actividade mais demorada e mais onerosa do processo, consumindo em média cerca de sete vezes mais tempo do que o carregamento. Conclui-se que o método usado para carregamento e descarregamento — manual — em conjugação com o veículo empregue no transporte secundário, teve influência directa sobre o desempenho operacional da Indústria Sotomane, apontando para oportunidades de melhoria tanto na mecanização das operações de carga como na gestão da frota de transporte.

Palavras-chave

Exploração Florestal Produtividade Tecnológica Custos Operacionais

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Podes ler o documento directamente abaixo, ou fazer o download em PDF para consultar mais tarde.

Fontes citadas: MITADER (2018); FAO (2010); Nhamirre (2018); Gonçalves (2011); Braz (2005); Arce et al. (2004); Rodrigues (2018); Oliveira et al. (1999) apud Batista (2008); Muianga e Norfolk (2017); Sant'Anna (2002); Machado (2008); FAO (metodologia de custos operacionais).

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