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Avaliação de Quatro Compassos sobre o Rendimento de Quatro Variedades de Arroz (Oryza sativa L.) nas Condições Agro-ecológicas de Nampula | Mente258

TCC Agronomia Nampula

Avaliação de Quatro Compassos sobre o Rendimento de Quatro Variedades de Arroz (Oryza sativa L.) nas Condições Agro-ecológicas de Nampula

Moçambique importa anualmente cerca de 360 mil toneladas de arroz para suprir o défice nacional. Um ensaio factorial em Nampula testa quatro compassos em quatro variedades para descobrir qual combinação rende mais no campo.

Autor: Mercês Sampo

O segundo cereal mais cultivado do mundo

O arroz (Oryza sativa L.) é o segundo cereal mais cultivado no mundo e alimento básico para cerca de 2,4 mil milhões de pessoas, sendo o cereal mais importante para os países em desenvolvimento e constituindo a base alimentar de mais de metade da população mundial (Alonço, 2005).

A orizicultura ocupa, anualmente, cerca de 154 milhões de hectares — 11% das terras cultivadas no mundo —, sendo que mais de 90% de todo o arroz produzido é cultivado e consumido na Ásia, onde vive 60% da população do planeta (Khush, 2005). Segundo a FAOSTAT (2018), a Ásia lidera a produção mundial com cerca de 90,5%, seguida da América com 5,2%, África com 3,7%, Europa com 0,6% e Oceânia com 0,1%, em média entre 2000 e 2017.

Entre os factores que influenciam directamente o rendimento do arroz está a densidade das plantas no campo, já que a mesma população de plantas pode assumir diversos compassos. Para cada condição de solo, clima, variedade e tratos culturais, existe um número de plantas por unidade de área que conduz à mais alta produtividade (Santos, 1990). Não existe, porém, uma combinação universal de espaçamento e densidade ideal, apenas aquela mais próxima do óptimo para cada variedade e ambiente (Carvalho, 2006): densidades elevadas provocam auto-sombreamento e maior risco de acamamento, enquanto densidades baixas prejudicam o uso do solo e aumentam a proporção de perfilhos improdutivos e tardios (Soares et al., 1979, apud Carvalho, 2006).

Um défice de 360 mil toneladas por ano

Estimativas da DPASAN (2017) indicam que o rendimento médio da cultura do arroz em Moçambique, na campanha 2016/17, atingiu cerca de 1,6 t/ha. Para a campanha 2017/18 esperava-se cerca de 1,3 t/ha, mas obteve-se apenas 1,2 t/ha, devido ao baixo rendimento de algumas variedades menos produtivas cultivadas no país.

Apesar do aumento potencial na produtividade, existe um défice na ordem de 360 mil toneladas de arroz para o consumo humano, obrigando o país a recorrer anualmente às importações, com impacto negativo na balança comercial.

— DPASAN (2018)

Em Nampula, a produtividade de arroz variou de 0,60 a 1,1 t/ha entre 2006 e 2009, e de 1 a 1,2 t/ha entre 2010 e 2018. O aumento da densidade de plantas no campo eleva a produção até ao ponto em que a competição por água, luz, CO2 e outros factores de produção passa a limitar o processo, levando a rendimentos mais baixos (Sakai, 1991). Determinar o compasso que maximize a produtividade é uma preocupação antiga dos agricultores, e os resultados de pesquisa disponíveis nem sempre são consensuais entre cultivares e ambientes (Bresegehello, 1998; Soares, 2005).

Segundo Data (1981), citado por Sakai (1991), não existe um compasso óptimo universal — uma população inicial de plantas uniforme e adequada é o que realmente garante o desenvolvimento da variedade e a alta produção de grão. Este estudo procura responder à questão da densidade ideal que conduz a melhores rendimentos em quatro variedades de arroz, servindo de base para recomendações a diferentes produtores que enfrentam problemas de baixo rendimento associados à densidade de plantas no campo.

Quatro combinações variedade/compasso se destacam

O objectivo deste estudo foi avaliar diferentes compassos sobre o rendimento de quatro variedades de arroz, nas condições agro-ecológicas de Nampula. O experimento foi conduzido no posto agronómico de Nampula, entre Dezembro de 2018 e Maio de 2019, num delineamento de blocos completos casualizados, com 4 repetições e dezasseis tratamentos por bloco, num esquema factorial 4x4. Foram usados quatro compassos (15, 20, 25 e 30 cm) e quatro variedades: Munuquela, M'ziva, Tututa e Wipo.

Os parâmetros avaliados foram: dias até 50% de floração, altura da planta, afilhamento, número médio de panículas por planta, número médio de espiguetas por panícula, percentagem de grãos cheios, peso de 1000 grãos e rendimento do grão. Os dados foram analisados no pacote estatístico Sisvar 5.7, com teste de normalidade de Shapiro-Wilk, homogeneidade de variâncias pelo teste de Levene, e comparação de médias pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Combinação (variedade/compasso)Rendimento (t/ha)
Munuquela / 20 cm8,10
Wipo / 30 cm7,21
Tutura / 25 cm6,36
M'ziva / 30 cm5,49

Estas quatro combinações foram superiores em termos de rendimento médio, sustentado pelo maior número de panículas por m², maior número de espiguetas por panícula, maior peso de 1000 grãos e maior percentagem de grãos cheios em cada uma. A correlação de Pearson confirmou uma associação positiva entre o rendimento e os seus componentes.

Recomenda-se, assim, aos produtores das condições agro-ecológicas de Nampula, a adopção das combinações Munuquela/20 cm, Wipo/30 cm, Tutura/25 cm e M'ziva/30 cm, por apresentarem os melhores rendimentos observados no estudo.

Palavras-chave

Oryza sativa L. Densidade Variedade Rendimento

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Fontes citadas: Alonço (2005); Khush (2005); FAOSTAT (2018); Santos (1990); Carvalho (2006); Soares et al. (1979) apud Carvalho (2006); DPASAN (2017); DPASAN (2018); Sakai (1991); Bresegehello (1998); Soares (2005); Data (1981) citado por Sakai (1991).

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