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Avaliação da Produção de Réguas de Parquets na Indústria Colosso Lda., Distrito de Nicoadala | Mente258

TCC Engenharia Florestal Zambézia

Avaliação da Produção de Réguas de Parquets na Indústria Colosso Lda., Distrito de Nicoadala

Apenas 3 das 70 indústrias florestais da Zambézia ainda produzem parquets. Um estudo de campo mede o rendimento e a eficiência de uma delas, para perceber se este produto ainda vale a pena.

Autor: Paiva Alberto Dinís

Um recurso renovável com múltiplos destinos

A madeira é o único recurso natural renovável com propriedades estruturais, e um dos materiais mais resistentes por unidade de peso. Além disso, é fácil de trabalhar, resultando numa grande diversidade de formas e secções. Por ser relativamente leve, implica baixo custo de transporte e montagem, e por ser biodegradável, os seus resíduos podem ser totalmente aproveitados (Melo, 2002).

As características da madeira permitiram que fosse utilizada, ao longo da história humana, por vários povos na construção dos seus abrigos e moradias, ainda que o seu emprego tenha passado por processos nem sempre lineares de evolução tecnológica (Benevente, 1995). Com o avanço das técnicas de utilização, a madeira tornou-se uma matéria-prima versátil, base para um grande número de produtos, como celulose, papel, energia, taninos, resinas, madeira serrada, madeira roliça e chapas de madeira reconstituída à base de fibras, partículas, parquets, réguas de parquets e lâminas (Fagundes, 2003).

Moçambique é um dos poucos países da região da África Austral que possui uma área considerável de floresta nativa, estimada em cerca de 40 milhões de hectares de floresta do tipo miombo, aproximadamente 51% da superfície do país, com as províncias da Zambézia, Niassa, Tete, Cabo Delgado e Gaza a apresentarem, em ordem decrescente, maior cobertura florestal (ME, 2013). A província da Zambézia sempre ocupou um lugar relevante na indústria madeireira do país, representando 10% das 178 indústrias existentes a nível nacional em 2005 (DNFFB, 2005), tendo o seu nível de industrialização subido para 70 indústrias florestais em 2018, sendo a segunda província mais industrializada do sector, só superada por Gaza, com 139 indústrias, seguida de Sofala com 62 e Maputo com 52 (SPFFBZ, 2018).

Segundo Donato (2013), a utilização racional da madeira como matéria-prima implica a padronização das suas características, seja para celulose, carvão vegetal, madeira serrada ou parquets, garantindo maior eficiência de conversão. O desenvolvimento da tecnologia de produção de madeira serrada ainda requer esforço de vários ramos da pesquisa, desde a escolha das espécies mais adequadas até à exploração e tecnologia de processamento apropriadas, permitindo utilizar todo o potencial da madeira, reduzir perdas, atender à demanda por madeira de qualidade e reduzir a pressão sobre as florestas nativas. O processamento industrial gera sobras e resíduos que precisam de ser adequadamente geridos: ainda que biodegradáveis, a sua concentração, deposição ou queima pode causar impactos ambientais negativos, podendo, em alternativa, ser aproveitados como fonte de energia ou reincorporados no processo produtivo de outros produtos, como celulose, painéis e chapas de madeira reconstituída (John, 2000).

Um produto em queda, apesar da procura externa

Em Moçambique, a madeira serrada, os parquets, os contraplacados, os folheados e as travessas são os principais produtos processados nas indústrias madeireiras, com maior destaque para a madeira serrada e os parquets (Benjamim, 2013). O parquet é um tipo de piso de madeira bastante presente, principalmente em casas e apartamentos mais antigos, caracterizado por pequenas peças que formam desenhos geométricos, muito decorativo e durável (Chitará, 2003).

Os maiores volumes processados na Zambézia pertencem a pranchas (56%), tábuas (24%) e barrotes (11%), com os parquets a ocuparem apenas 9%. No entanto, no volume de exportação, os parquets aparecem em 18%, seguidos das pranchas com 73% como o principal produto exportado.

— SPFFBZ (2018)

No cenário actual, os parquets são pouco processados, e a pequena quantidade produzida é quase toda destinada à exportação, revelando duas situações preocupantes: baixos e decrescentes níveis de produção pelas indústrias, e baixos níveis de consumo no mercado interno. A título de exemplo, o INE (2007) demonstra que apenas 1,7% das habitações existentes em Quelimane, capital da Zambézia, usam pisos de parquets.

Actualmente, das 70 indústrias florestais existentes na província, apenas três (4%) produzem parquets. Em 2018, foram produzidos 2.328 m³ e exportados 1.926 m³ de parquets para outros países, principalmente China e Ilhas Maurícias (SPFFBZ, 2018). Contudo, os estudos sobre a indústria florestal, focados na produção de madeira serrada, têm dado pouca atenção à produção de parquets. Surge, por isso, a presente pesquisa como forma de recolher evidência técnica do processo de produção de parquets, contribuindo para uma produção mais eficiente deste produto e estimulando o aumento do seu consumo no mercado interno, particularmente na Zambézia, tomando como base a Indústria Sociedade Comercial Colosso Lda.

Rendimento aceitável, boa gestão de tempo

O presente trabalho foi desenvolvido na Indústria Florestal Sociedade Comercial Colosso Lda., localizada no distrito de Nicoadala, com o objectivo de avaliar a produção de réguas de parquets. Com o auxílio de uma fita métrica, efectuou-se um levantamento de dados, medindo-se toros antes da serragem e após a traçagem das peças de madeira para réguas de parquets, agrupados em classes de diâmetro (36-43 cm, 43-50 cm, 50-57 cm, 57-64 cm, 64-71 cm, 71-78 cm, 78-84 cm) e de comprimento (0,5-0,9 cm — curto, 1-1,9 cm — médio, e 2 cm ou mais — longo).

Foram avaliados como parâmetros o rendimento volumétrico, a eficiência técnica de conversão e a gestão de tempo.

ParâmetroResultado
Rendimento médio — classes de diâmetro34%
Rendimento médio — classes de comprimento20%
Eficiência técnica de conversão0,39 m³/operário/turno
Aproveitamento do tempo produtivo88%

O rendimento e a eficiência são baixos, mas aceitáveis, tendo em conta a complexidade da produção de réguas de parquets. O aproveitamento do tempo de produção é satisfatório, devido à boa gestão de tempo por parte da indústria.

Palavras-chave

Réguas de Parquets Rendimento Volumétrico Eficiência Técnica de Conversão Gestão de Tempo

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Fontes citadas: Melo (2002); Benevente (1995); Fagundes (2003); ME (2013); DNFFB (2005); SPFFBZ (2018); Donato (2013); John (2000); Benjamim (2013); Chitará (2003); INE (2007).

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