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Mapeamento da Arborização Urbana de Mocuba com Sistemas de Informação Geográfica | Mente258

TCC SIG e Sensoriamento Remoto Zambézia

Mapeamento da Arborização do Centro Urbano da Cidade de Mocuba, Utilizando Sistemas de Informação Geográfica

Um inventário digital das árvores do centro urbano de Mocuba, cruzando imagens de satélite Sentinel 2A com dados recolhidos em campo, para apoiar uma gestão mais informada da arborização da cidade.

Autor: Abdul Camusse

Décadas de transformação urbana

Desde meados da década de 1980, as cidades moçambicanas têm sofrido as mais intensas transformações nos âmbitos socioambientais urbanos (Cherewa, 1996). A procura pela compreensão da diversidade dos aspectos do espaço urbano relacionados às suas dimensões socioambientais tornou-se, a partir dos anos seguintes, uma preocupação cada vez mais presente para o planeamento e a gestão das cidades (Mosca, 2010).

A vegetação urbana, quando correctamente implantada, desempenha um conjunto importante de funções responsáveis pela melhoria da qualidade do ambiente, podendo minimizar o impacto ambiental causado pelos efeitos antrópicos da expansão das cidades, resultando em maior conforto para a população (Pires, 2007).

De acordo com Ponzoni et al. (2012), para a realização de uma boa gestão da vegetação urbana é essencial dispor de dados sobre este recurso, como o número de árvores, as espécies que a compõem e a sua localização. A informatização dos inventários permite cadastrar uma grande quantidade de informação sobre a arborização, além de aumentar a aplicabilidade dos estudos, facilitando o acesso aos dados, a análise, a correcção, o armazenamento e o tempo necessário para a sua elaboração (Mayer, 2012).

Segundo Schuch (2006), as actividades de planeamento ambiental passaram a ser executadas em Sistemas de Informação Geográfica (SIG), simulando a realidade do espaço geográfico, integrando informação espacial e gerando mapas por meio do geoprocessamento, demonstrando que o uso dos SIG pode contribuir para a tomada de decisões, uma vez que modelam geoinformação, possibilitam um melhor entendimento do problema a solucionar, e geram mecanismos apropriados para a criação de medidas mitigadoras (Silva Filho, 2002).

Lima Neto e Biondi (2010) afirmam que os SIG integram o quantitativo da arborização com grande capacidade de filtragem e armazenamento, e que a sua aplicação junto ao inventário convencional pode subsidiar o monitoramento das áreas arborizadas, sendo necessário dispor de bases cartográficas que atendam aos objectivos da pesquisa. Tendo em vista os benefícios e a importância do mapeamento da arborização urbana, o presente trabalho objectivou mapear a arborização do centro urbano da cidade de Mocuba, utilizando um Sistema de Informação Geográfica como ferramenta para o cadastro do inventário da arborização e como suporte a análises que auxiliem no maneio e na tomada de decisões.

Uma cidade a crescer sem planeamento verde

O processo de urbanização das cidades, muitas vezes, não vem acompanhado de um planeamento adequado, o que acarreta vários problemas de infra-estrutura e mobilidade, com consequências de carácter social e ambiental (Oliveira Filho, 2010).

A falta de planificação e o modelo de gestão das áreas verdes dos centros urbanos é o principal factor que tem contribuído para a redução da cobertura arbórea nessas áreas, causando conflitos por falhas no maneio da arborização e falta de um Sistema de Informação Geográfica no planeamento de plantios.

— Cunha et al. (2018)

Desta forma, são constantes as reclamações quanto a danos em passeios e muros provocados por raízes, ou incompatibilidades surgidas entre galhos e redes de transmissão (Pires, 2007). Para a correcção destes problemas, e na perspectiva de facilitar o planeamento da arborização, o SIG possui um potencial de aplicação na descrição de dados espaciais a partir da realidade, além de permitir a correlação de objectos urbanos, como rede eléctrica, arborização urbana, sistema de saneamento subterrâneo e sinalização, com a localização e o agrupamento de informação sobre cada objecto (Nowak, 2008).

Justifica-se ainda a estruturação de um banco de dados em ambiente SIG como suporte ao planeamento e controlo da arborização urbana, já que o custo de implementação destas técnicas é muito menor do que o custo de futuras alterações nos sistemas de arborização causadas pela falta de planeamento (Lima et al., 2010).

EVI com melhor ajuste do que o NDVI

O presente trabalho foi desenvolvido no centro urbano da cidade de Mocuba, com o objectivo de mapear a arborização utilizando Sistema de Informação Geográfica por meio de imagens de sensoriamento remoto. Com o auxílio do software Quantum GIS 3.12, fez-se a digitalização das avenidas e ruas, e gerou-se um buffer de 15 metros, onde foram recolhidos dados, posteriormente geocodificados e integrados num banco de dados geográficos.

Aplicou-se o operador de densidade Kernel, a fim de comparar os seus resultados com os índices de vegetação NDVI e EVI, gerados a partir de imagens Sentinel 2A, através do ajuste de um modelo de regressão. Os índices foram calculados utilizando as equações apresentadas na literatura, e também substituindo o termo correspondente à faixa do vermelho pela faixa Red-Edge.

ÍndiceCoeficiente de determinação (R²)
EVI82%
NDVI11%

Os resultados apresentaram valores satisfatórios para o modelo de regressão do índice EVI, e um valor baixo para o NDVI. Este resultado mostrou que o método aplicado foi bem-sucedido para a avaliação da arborização urbana, com as imagens de sensoriamento remoto e as técnicas utilizadas. Ainda assim, o banco de dados georreferenciado, e o que ele possibilita em termos de consultas, revela-se uma ferramenta de gestão pública igualmente importante.

Palavras-chave

Mapeamento Arborização Sensoriamento Remoto Banco de Dados SIG

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Fontes citadas: Cherewa (1996); Mosca (2010); Pires (2007); Ponzoni et al. (2012); Mayer (2012); Schuch (2006); Silva Filho (2002); Lima Neto & Biondi (2010); Oliveira Filho (2010); Cunha et al. (2018); Nowak (2008); Lima et al. (2010).

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