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Sobrevivência e Crescimento Inicial de Clones de Eucalipto em Sussundenga, Manica | Mente258

TCC Silvicultura Manica

Avaliação de Sobrevivência e Crescimento Inicial de Quatro Clones do Género Eucalyptus no Distrito de Sussundenga

Aos 32 meses de idade, nem todos os clones de eucalipto se comportam da mesma forma. Um estudo de campo compara quatro genótipos para indicar quais se adaptam melhor às condições de Sussundenga, Manica.

Autor: Lavumó Charela

Do jardim Tunduro às plantações industriais

De acordo com Santos (2015), o Eucalyptus é um género com espécies que apresentam capacidade adaptativa a diversas condições ambientais, facilidade de reprodução e propagação, biotecnologia em franca expansão, e custo de produção baixo comparado a outras espécies florestais, devido ao seu rápido crescimento. A procura por produtos de origem florestal aumentou sensivelmente nas últimas décadas, levando a silvicultura a buscar alternativas de alta produtividade, concretizadas com a introdução de espécies exóticas, principalmente Eucalyptus sp. e Pinus sp. (Borges, 2012).

Estima-se que, de todas as árvores plantadas no mundo, o género Eucalyptus é responsável por 38%, sendo a Índia o país com maior área plantada, com 22% deste género, o mais plantado nos trópicos (Pérez-Cruzado et al., 2011; Epron et al., 2013, citados por Carlos, 2018). As primeiras plantações em Moçambique iniciaram no século XIX, com o plantio de árvores na então Lourenço Marques, hoje Maputo, predominantemente com espécies do género Eucalyptus, com o objectivo de secar os pântanos existentes na parte baixa da cidade. Dados disponíveis indicam que, entre 1907 e 1920, o jardim Tunduru foi enriquecido com essências exóticas, e a partir de 1926 a cidade começou a ser arborizada de forma ordenada, nas ruas próximas à Estação dos Caminhos-de-Ferro, com o plantio de Eucalyptus tereticornis, Eucalyptus rostata e Eucalyptus robusta (MA, 2006).

Segundo o mesmo Ministério, no período colonial foram estabelecidas cerca de 20.000 ha de plantações florestais com espécies exóticas, maioritariamente Eucalyptus saligna, Eucalyptus grandis, Pinus patula e Casuarina equisetifolia, sobretudo em Penhalonga, Rotanda e Sussundenga (Manica), Lichinga (Niassa), Alto-Molócue e Gurué (Zambézia), Angónia (Tete), Namaacha, Salamanga, Marracuene e Matola (Maputo), Barra do Limpopo e Bilene (Gaza), e Nhalue (Inhambane). Contudo, os esforços para atrair o sector privado ao reflorestamento entre a segunda metade dos anos 90 e a primeira metade dos anos 2000 não surtiram o efeito desejado, e a actividade resumiu-se, nos anos seguintes, a pequenas acções isoladas conduzidas pelas Direcções Provinciais de Agricultura. Mais recentemente, investimentos privados estrangeiros, como a Indústria Florestal de Manica, a Green Resources, a Ntacua Florestas e a Portucel, têm desenvolvido projectos de monoculturas de árvores em várias províncias, actualmente em diferentes estágios de implementação (Overbeek, 2010).

A formação de povoamentos com espécies de crescimento rápido, como as do género Eucalyptus, é estratégica para aumentar a oferta de madeira e outros produtos florestais, diminuindo a pressão sobre as florestas nativas, já que estas espécies crescem satisfatoriamente em diversas condições edafoclimáticas e apresentam ampla plasticidade de uso da madeira (Martinez et al., 2012). Com a clonagem de eucaliptos, nota-se a grande contribuição da evolução tecnológica para a silvicultura: hoje, extensas áreas são ocupadas por clones com grande produtividade, qualidade desejada de madeira e alta estabilidade fenotípica na produção (Romero et al., 2003). Além da escolha adequada da espécie, é necessário conhecer os factores geológicos e climáticos da região, que podem interferir directa ou indirectamente no desenvolvimento da planta e na produtividade, sendo que espécies, híbridos e clones de eucalipto respondem de forma diferente aos estímulos ambientais de cada nicho ecológico, exigindo testes de adaptação e produção antes de serem indicados para uma região (Ferreira et al., 2017).

Diante do exposto, o presente trabalho objectivou avaliar a sobrevivência e o crescimento inicial de quatro clones do género Eucalyptus, com a finalidade de obter informação para a indicação de cultivo no distrito de Sussundenga, província de Manica.

Sete milhões de hectares com potencial, e uma perda florestal acelerada

Segundo o MA (2006), Moçambique tem cerca de 36 milhões de hectares de terras aráveis com potencial para uma gama diversificada de culturas agrícolas, incluindo plantações florestais. Nessa altura, apenas 12 milhões de hectares eram usados para produção agrícola alimentar e de rendimento, satisfazendo cerca de 80% das necessidades do país, sendo necessários cerca de 15 milhões de hectares para satisfazer 100% das necessidades alimentares, o que deixaria ainda disponíveis cerca de 21 milhões de hectares para outros fins, incluindo plantações florestais para o mercado local e a exportação.

De acordo com estudos citados pelo mesmo Ministério, foram identificados sete milhões de hectares com potencial para o reflorestamento com espécies de rápido crescimento, nas províncias de Sofala, Manica, Zambézia, Nampula e Niassa, sendo a "terra disponível" usada como bandeira para atrair investimentos em plantações florestais (Nhantumbo et al., 2013, citados por Sitoe & Lisboa, 2017). A escolha do distrito de Sussundenga para este estudo deveu-se ao seu forte potencial florestal, com cobertura vegetativa de espécies exóticas, destacando-se o pinho e o eucalipto (MAE, 2014). O distrito atraiu, inclusive, uma das grandes empresas de produção florestal do país, a Portucel, que conta com uma área de 183.000 ha na província de Manica, dos quais cerca de 20.000 ha estão a ser implantados em Sussundenga com espécies ou clones do género Eucalyptus (Baffoni, 2017).

O Centro de Desenvolvimento Sustentável – Recursos Naturais, ao monitorizar o desmatamento no distrito de Sussundenga entre 1998 e 2012, constatou que este é um dos distritos onde se regista uma acelerada perda de florestas.

— Nhantumbo & Guedes (2013)

Diante da indisponibilidade de florestas comerciais de alta produtividade, têm surgido pesquisas que buscam materiais genéticos mais produtivos e adaptados às diferentes condições ambientais (Vellini et al., 2008). Entre os avanços tecnológicos que mais contribuíram para a actual dinâmica da silvicultura está o melhoramento genético, visando a selecção de árvores com características desejáveis, como vigor, forma, resistência a pragas e doenças, qualidade da madeira e aproveitamento industrial (IBÁ, 2014, citado por Cunha, 2016). Entre as espécies de eucalipto, E. urophylla e E. grandis são as mais utilizadas em programas de hibridação controlada, gerando o genótipo comummente denominado "urograndis" (Muro, 2000, citado por Caldeira, 2014).

Trabalhos científicos têm demonstrado que indivíduos da mesma espécie apresentam desenvolvimento e estado nutricional distintos quando avaliados em regiões ecológicas diferentes, assim como espécies diferentes de eucaliptos podem apresentar respostas variadas num mesmo sítio florestal (Coutinho et al., 2004), consequência das distinções climáticas e de solo das diversas regiões e da heterogeneidade dos materiais genéticos (Santana et al., 2002). Para Latorraca e Albuquerque (2000), a maioria dos problemas com a qualidade da madeira advém de características do lenho juvenil, com maior tendência a contracções acentuadas, tornando essencial o acompanhamento detalhado do desenvolvimento da produção para o produtor que deseja alcançar a rentabilidade desejada. A sobrevivência, o estabelecimento, a frequência dos tratos culturais e o crescimento inicial das florestas são avaliações necessárias para o sucesso do empreendimento florestal (Gomes et al., 2002), justificando-se a avaliação do crescimento e da sobrevivência de diferentes clones para fornecer subsídios a grandes, médias e pequenas empresas que pretendam produzir eucalipto em Sussundenga, minimizando custos, maximizando lucros e contribuindo para o reflorestamento de áreas degradadas.

NGU 47 e NGU 62 destacam-se pela sobrevivência e crescimento

O trabalho foi realizado no distrito de Sussundenga, província de Manica, na estação florestal de Mandonge, num povoamento de clones de espécies do género Eucalyptus com idade de 32 meses, aproximadamente 2,5 anos. O objectivo principal foi avaliar a sobrevivência e o crescimento inicial de quatro clones, NGU 47, NGU 22, NGU 62 e 3335, provenientes de bancos de matrizes.

Foi usada amostragem aleatória simples, com quatro sub-parcelas em forma de grade demarcadas para cada clone em quatro blocos, totalizando 64 sub-parcelas de igual tamanho, formato rectangular e dimensões de 13,5 x 21 m, correspondendo a uma área de 283,5 m². Foram medidas as variáveis DAP, altura total e qualidade fitossanitária de 35 indivíduos em 16 sub-parcelas sorteadas. Para todos os clones e características avaliadas, determinaram-se o índice de sobrevivência, valores mínimos, médios, máximos e coeficientes de variação para o DAP e a altura total ao nível das parcelas, e o estado fitossanitário através dos índices de ataque para cada classe de danos, com o auxílio do software MS Excel 2010 e SISVAR, para verificar a diferença entre médias pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

CloneSobrevivência e crescimentoQualidade fitossanitária
NGU 47Alta sobrevivência, melhor desempenho de crescimentoBoa
NGU 62Alta sobrevivência, melhor desempenho de crescimentoBoa
NGU 22Desempenho inferior aos anterioresBoa
3335Desempenho inferior aos anterioresNão satisfatória

Os resultados mostraram que os clones NGU 47 e NGU 62 apresentaram alta sobrevivência e melhor desempenho de crescimento, indicando excelente adaptação às condições ambientais da região, em relação aos clones NGU 22 e 3335. Todos os clones, com excepção do 3335, apresentaram boa qualidade fitossanitária dos seus indivíduos e povoamentos.

Palavras-chave

Avaliação Clones Eucalipto

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Fontes citadas: Santos (2015); Borges (2012); Pérez-Cruzado et al. (2011) e Epron et al. (2013), citados por Carlos (2018); MA (2006); Overbeek (2010); Martinez et al. (2012); Romero et al. (2003); Ferreira et al. (2017); Del Quiqui et al. (2001); Nhantumbo et al. (2013), citados por Sitoe & Lisboa (2017); MAE (2014); Baffoni (2017); Nhantumbo & Guedes (2013); Vellini et al. (2008); IBÁ (2014), citado por Cunha (2016); Muro (2000), citado por Caldeira (2014); Coutinho et al. (2004); Santana et al. (2002); Latorraca & Albuquerque (2000); Gomes et al. (2002).

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